Número total de visualizações de páginas

sábado, 30 de maio de 2020

ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM CRIANÇAS


Algumas Proposições com Crianças*

A criança está completamente imersa na infância
a criança não sabe que há-de fazer da infância
a criança coincide com a infância
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infância
a criança mergulha na infância como no mar
a criança é o elemento da criança como a água
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a infância
embora eu nunca mais saiba como ela se diz

*Título de um poema de Ruy Belo, in ‘Homem de Palavra[s]’




Quando olhamos uma criança, para a vermos de modo completo e holístico, temos de ser capazes de descobrir o outro lado do espelho onde mora a sua infância; recordar a nossa própria infância que se perdeu no horizonte dos deveres de adulto.

A infância vem de longe, é um país em construção onde o para sempre ganha contornos definitivamente provisórios. É o caos da abertura ao novo, à surpresa, à aventura. É a frontalidade de combater o tédio, a coragem de ter febre de viver, ainda que as feridas nos joelhos façam chorar lágrimas verdadeiras. É brincar, brincar, brincar. O acto de brincar como verdade ancestral chega do primeiro século da nossa história e é repetido em cada primeiro dia de um bebé recém-nascido.

A infância está na origem do processo de fazer acontecer a heterogeneidade, a multiplicidade, a complexidade, a mobilidade, a criação lúdica: tantos caminhos em redor e sobre o mundo, em completa liberdade, porque o brincar não tem metodologias.

As palavras são o nosso melhor instrumento para explicar tudo: ideias, actos, sonhos, receios, causas e consequências; servem para descodificar a vida e a morte das pessoas. Contudo, na criança o discurso linguístico é quase insuficiente, apresentando-se através de um vocabulário e de uma construção frásica ainda simples. Assim, ela utiliza outras construções criativas para se definir como pessoa. O tempo da infância corresponde, de certo modo, ao período iniciático a partir do qual a criança toma consciência de si enquanto ser humano. A infância como cultura fundamental do ser, do estar e do saber fazer é livre, criativa, expansiva, e eminentemente espiritual. É um voo avassalador sobre as nossas cabeças velhas.

A abertura das creches e dos jardins-de-infância neste tempo pandémico assombrado pela Covid-19 colocou as crianças no centro de uma situação de cariz existencial, com consequências devastadoras no futuro dos humanos, a começar nesta geração que agora acolhemos nas instituições educativas. É um processo instituído pelo Governo que vai originar mais prolemas do que aqueles que resolve.

Ao brincar, a criança transforma e transforma-se. Os gestos lúdicos do pequeno ser, numa profunda proximidade relacional com os seus pares, são a verdadeira autenticidade do conteúdo do intensamente humano que carregamos dentro de nós. A creche e o jardim-de-infância adulterados com regras de distanciamento entre as crianças, isolamento de grupos, ausência de materiais pedagógicos, inexistência de partilhas e desinfecções sobre desinfecções são ambientes destruidores dos afectos, da liberdade e do respeito pelo outro. Nestas circunstâncias paradoxais, o outro é exactamente isso na percepção da criança:

- Aquele ser distante já não é meu amigo e não brinca comigo. Estou sozinha.


Foto do jornalista da BFM Lionel Top


As creches e os jardins-de-infância vão abrir e acolher as crianças.
As crianças vão ficar ali, estranhas umas às outras.
A tristeza é uma doença.
É só isto que eu tenho para dizer.

Adília César

As partes do corpo humano para crianças - Vídeo educativo para crianças -

segunda-feira, 4 de maio de 2020

POEMA - Com 3 letrinhas apenas

MÃE

Com três letrinhas apenas
se escreve a palavra Mãe
é das palavras pequenas
a maior que o mundo tem!



POEMA - MÃE de Matilde Rosa Araújo


O SENHOR CAVALO-MARINHO de ERIC CARLE

A história O SENHOR CAVALO-MARINHO de Eric Carle enriquece as vivências da criança no que diz respeito à preservação da espécie.

Existe uma colónia na Ria Formosa, no Algarve, na qual a comunidade científica tem tentado intervir, no sentido de a preservar e impedir a sua extinção.



Como o livro está esgotado, deixo aqui o link com o slideshare da história, da autoria de Ana Luísa Ribeiro:


Vamos ajudar nesta causa?

Saudação ao Sol - Simone Saavedra



A sugestão para este dia compreende uma sequência de exercícios físicos que implicam a coordenação de movimentos com a respiração. Deste modo, deves organizar um espaço livre de obstáculos e preparar-te, juntamente com os teus familiares, para repetir a sequência dos exercícios durante o período de tempo que for confortável para ti.

Instruções para cada exercício/postura:

1 – Fica de pé com os pés juntos e o peso equilibrado pelo corpo (sem tombar para um lado ou para o outro), com as mãos juntas e perto do peito;
2 – Inspira e levanta os braços;
3 – Ao expirar, lança os braços para a frente e vai baixando até ao chão;
4 – Ao inspirar, estica a tua perna direita para trás o máximo possível e olhe para frente;
5 – Ao inspirar, estica para trás a sua perna esquerda e deixa o corpo numa posição reta;
6 – Lentamente baixa um pouco o corpo, como se fosse tocar o chão, mantendo-o sobre as palmas da mão;
7 – Desliza para a frente e levanta o peito enquanto olhas para cima. As palmas das mãos continuam no chão e os cotovelos levemente dobrados;
8 – Levanta o quadril enquanto as palmas das mãos continuam no chão. Deves ficar na posição de um “V” invertido;
9 – Ao inspirar, olha para a frente e leva o joelho direito para frente, enquanto a perna esquerda fica esticada para trás;
10 – Ao expirar, traz o joelho esquerdo para frente do corpo;
11 – Inspira e levanta os braços.
Agora repete a sequência. A repetição dos exercícios vai ajudar-te a memorizar a sua sequência. 

Além da imagem ilustrativa das várias posições que deves fazer podes, também, seguir o vídeo.





Após a atividade de Saudação ao Sol a criança poderá desenhar o que sentiu. Sugere-se o lápis de cor ou de cera por terem um traço mais suave e consonante com a experiência de promoção do equilíbrio emocional.

terça-feira, 14 de abril de 2020

A LAGARTINHA MUITO COMILONA - EM PORTUGUÊS

Uma história de Eric Carle, muito divertida e didática, implica os algarismos, as quantidades, os tamanhos, o ciclo da borboleta e também as diferenças entre alimentação saudável e desadequada.

Além do vídeo, partilho o slideshare da história e um conjunto de atividades e respetivos materiais para explorar todos os conteúdos.




Vídeo com a narração da história:

segunda-feira, 23 de março de 2020

Somewhere over the rainbow (instrumental)

Poema "P'ra Lá do Arco-Íris"


“Over The Rainbow” (“P’ra Lá do Arco-Íris”)




Deixo-vos um presente: "Over The Rainbow" ("P'ra Lá do Arco-Íris"), uma bonita canção originalmente composta por Harold Arlen (1905-1986), com letra de E. Y. Harbung, para o filme "O Feiticeiro de Oz. Desconheço os autores deste instrumental.  

A versão portuguesa da letra é de Alexandre Delgado:

Quando tu vês tudo tão confuso,
quando cai a chuva sem parar,
o céu mostra por onde hás-de ir.

Quando as nuvens se tornam negras,
lá em cima tu hás-de encontrar
um caminho a colorir.
Todo o céu, até ao Sol,
por onde podemos ir.

P’ra lá do arco-íris há-de haver,
um lugar de que ouvi falar ao adormecer.
P’ra lá do arco-íris eu sei bem,
que os meus sonhos serão verdade e os teus também.

Um dia vou pedir a uma estrela que me leve para longe.
Um sítio sem tristezas, bem p’ra lá daquelas nuvens,
onde o Sol se esconde.

P’ra lá do arco-íris, para além,
onde os pássaros voam, quero voar também.
Se os passarinhos voam para lá do arco-íris, eu também!

*

Música instrumental para acompanhar a leitura do poema:
https://www.youtube.com/watch?v=ASskDwAp5GU&fbclid=IwAR35cx3SKRVzQeZf_xtojkSre9K5CEbOmvF-g4QQosSOCqwnzgqlM5cF_Ak

*

A minha leitura do poema em vídeo:
https://www.facebook.com/adiliacesar.versospequeninos/videos/681265279288804/

Jogo do Coronavírus - Lavar bem as mãos

Aprender brincando: como lavar bem as mãozinhas?




Assim:
https://www.criandocomapego.com/jogo-do-coronavirus-lavar-bem-as-maos/

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A de Artes: 3D Art - Arcimboldo - AUTONO

A de Artes - Arcimboldo e o Outono

A pintura "Outono" de Arcimboldo é potencialmente pedagógica para as crianças pequenas, ramificando-se em vários temas: a arte da Pintura, o Outono, a Alimentação, etc. faz parte de uma série intitulada "As Quatro Estações", onde usou, pela primeira vez, imagens da natureza, tais como frutas, verduras e flores, para compor fisionomias humanas. 


Outono - Giuseppe Arcimboldo

Arcimboldo foi um pintor italiano, conotado com o Maneirismo e o Surrealismo. As suas obras causam alguma estranheza, mas as crianças pequenas aceitam o simbolismo das imagens e sentem-se, elas próprias, estimuladas na sua imaginação. 



Autorretrato de Giuseppe Arcimboldo (1526 - 1593)


O vídeo 3D seguinte ajuda os mais novos a entender a ideia de Arcimboldo, na passagem das 2 para as 3 dimensões.




A obra de Arcimboldo resiste ao tempo e provoca outras obras artísticas. Veja-se, por exemplo, uma recriação do fotógrafo Klaus Henriquee Gerdes. Enquanto as obras pintadas de Arcimboldo criavam uma fantasia, a fotografia de Gerdes cria uma imagem da realidade, trazendo a fantasia de volta à vida. Ele explica: “Uma pêra, uma maçã e uma baga juntam-se em sinergia, criando um retrato na minha mente. Magritte disse a famosa frase 'Ceci n'est pas une pipe', da mesma forma que eu poderia dizer 'Isso não é um rosto', mas os nossos poderes de abstração, um poder que é exclusivamente humano, permitem-nos ver esse rosto. ”




Para saber mais sobre Klaus Henrique Gerdes e as suas recriações fotográficas dos quadros de Arcimboldo:


sábado, 5 de outubro de 2019

Cavalo Marinho



Voz de Rosa Emilia Dias Composição : Nando Carneiro; Cacaso Sincronização áudio/vídeo: Flávio Alves Letra: Galopa Cavalo marinho Me ensina o caminho Que devo tomar Solta as crinas no vento Galopa no vento Cavalo do mar Galopa Cavalo marinho Me ensina o caminho Que devo tomar Solta as crinas no vento Galopa no vento Cavalo do mar Galopa Cavalo marinho Me ensina o caminho Que devo tomar Solta as crinas no vento Galopa no vento Cavalo do mar Galopa Cavalo marinho Me ensina o caminho Que devo tomar Solta as crinas no vento Galopa no vento Cavalo do mar

Olivia Byington - Cavalo Marinho



Galopa
Cavalo marinho
Me ensina o caminho
Que devo tomar
Solta as crinas no vento
Galopa no vento
Cavalo do mar
Galopa
Cavalo marinho
Me ensina o caminho
Que devo tomar
Solta as crinas no vento
Galopa no vento
Cavalo do mar
Galopa
Cavalo marinho
Me ensina o caminho
Que devo tomar
Solta as crinas no vento
Galopa no vento
Cavalo do mar
Galopa
Cavalo marinho
Me ensina o caminho
Que devo tomar
Solta as crinas no vento
Galopa no vento
Cavalo do mar
Composição de Cacaso/Nando Carneiro

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Cavalo Marinho - OFICIAL - Legendado

Comemorar o Dia do Animal | 4 de Outubro 

A canção CAVALO MARINHO vai ajudar-nos a conhecer melhor este maravilhoso peixinho que está em perigo na nossa Ria Formosa, no Algarve.

VAMOS SALVAR OS CAVALOS MARINHOS será a nossa causa social e ecologógica ao longo do presente ano letivo.

Toda a ajuda é preciosa!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

"Queres brincar comigo?" | Livros | Zig Zag

Para o 1º dia de jardim de infância, escolhi a história "Queres brincar comigo?" de Eric Carle. O livro é muito apelativo e tem um enigma que atravessa todas as páginas.

E tu, queres brincar comigo?


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quente de mais para abraçar

Uma história de inverno bem quentinha: "Quente de mais para abraçar" da autoria de Steve Smallman e Gee Biscoe, da editora book.it, encanta as crianças. O protagonista é um dragão adoptado por uma família. O seu melhor amigo é o João.

E DRAGÃO rima com JOÃO pois então!


https://www.youtube.com/watch?v=cAhCejEin1U

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O Nabo gigante

Uma história sobre entreajuda: uma quinta, um velhinho, uma velhinha, muitos animais e um nabo gigante!


Filme de animação baseado numa conto tradicional russo recolhido por Alexis Tolstoi realizado por crianças do 1º ciclo no atelier de artes plásticas "Tintas e rabiscos" do 2º Jardim-escola João de Deus de Coimbra sob a orientação dos Professores Artur Costa e Ana Rita Amorim:

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Considerações sobre o Teatro para a Infância

Num espectáculo teatral, a criança é exposta a uma complexidade de estímulos visuais, sonoros, linguísticos, gestuais e plásticos, onde cada um desses estímulos possui determinado sistema de códigos que é distinto de uns para os outros, provocando um prazer essencialmente sensorial. Num bom espectáculo, é notório o forte envolvimento e a mobilização perceptiva por parte das crianças. De facto, o teatro para a infância poderá ser tudo aquilo que os adultos quiserem, mas nem sempre tem sido o que as crianças precisam ou merecem.
A Pequena Sereia - Teatro Politeama

Não existindo receitas para um bom teatro, é sempre possível reflectir sobre ideias-chave, que nos permitem instaurar algumas concepções sobre teatro dito de qualidade. A primeira tem a ver com os equívocos do teatro para a infância, que partem do princípio (errado!) de que é um teatro infantilizado: lições de moral, intenções didácticas, finais felizes, humor grosseiro, diálogos pobres, gritarias e correrias em palco, excesso de efeitos especiais, participação forçada dos espectadores. A segunda ideia-chave tem a ver com a possibilidade de conexão entre tudo o que acontece em cena e aquilo que uma criança é: fantasia, brilho, poesia, cor, simplicidade, movimento, música, silêncio, metáfora, jogo, descoberta, o sensível e a magia. Assim, os objectivos do teatro para a infância deverão ter em linha de conta os objectivos gerais para a formação integral e global das crianças, sem esquecer o desenvolvimento das capacidades criativas inerentes ao pensamento divergente, sendo que a participação real da criança num espectáculo, no sentido do imaginário, passa pela percepção intuitiva, e não forçosamente intelectual, do ritmo que o actor lhe propõe. Este ritmo, complexo, não é analisado pela criança, mas é percepcionado ao nível de todo o corpo.
Tendo em conta as características das crianças, os seus modos de recepção face ao espectáculo teatral são diferentes dos modos de recepção dos adultos. “Ir ao teatro” não é uma escolha da criança pequena, pois ela vai assistir a espectáculos levada pelo adulto, uma vez que não tem autonomia para ir sozinha. Assim, à partida, a sua motivação é diferente da motivação dos adultos. Uma boa representação teatral manifesta-se na participação das crianças, participação que pode ir desde o silêncio prolongado até à mais intensa excitação. Assim, a criança reage a um ou outro aspecto que mais lhe chama a atenção, tendo alguma dificuldade em permanecer atenta durante um longo período. O sucesso de um espectáculo teatral poderá ter a ver com a qualidade das imagens, com o ritmo da cena e com os elementos surpresa que vai possuindo, cuidadosamente articulados, de maneira a despertar a criança de corpo inteiro, a disponibilizá-la para a história, para as diferentes histórias em cena.
Os estádios de desenvolvimento da criança têm importância nos seus modos de recepção: entre os dois e os quatro/cinco anos, a percepção infantil correlaciona-se essencialmente com uma componente afectiva e o comportamento motor. A criança atenta toma consciência das acções em cena, mas percepciona-as de forma imediata e fragmentada, dando mais importância a alguns pormenores que selecciona como importantes, sem ainda ser capaz de interiorizar uma sucessão lógica das acções dos actores. Os sons, as cores e as formas em movimento parecem ser os elementos mais influentes na recepção das crianças num espectáculo teatral. Pouco a pouco, a criança vai adquirindo competências ao nível da racionalidade, da retrospecção, da análise, da síntese, do estabelecimento das relações objectivas, do espírito crítico, da compreensão dos símbolos e das abstracções inerentes ao espectáculo de teatro.
As trocas com o público são um factor a não negligenciar num espectáculo, o jogo assume-se como dimensão fundamental do teatro contemporâneo, contribuindo para tornar o espectáculo mais vivencial, tornando o teatro para a infância ainda mais exigente, pois este tem de estar estruturado de forma aberta, no sentido de integrar as manifestações expontâneas e activas das crianças espectadoras. O actor precisa, assim, de se estruturar a partir da maleabilidade, da flexibilidade corporal e mental, do rigor, de uma verdade profunda face à acção teatral. Será então necessário um trabalho específico no teatro para a infância, tendo em conta a especificidade do público “infantil”? O encenador C. Fragateiro contextualiza duas formas de articulação entre as companhias produtoras de teatro e as crianças: o “teatro de animação”, onde ainda existe uma certa autonomia do teatro em relação à escola, e o “jogo/espectáculo”, mais directamente ligado às questões da aprendizagem, com um carácter “utilitário” demasiado evidente. Na nossa modernidade existem mil e uma formas de expressão (ou ainda mais) para os escritores, para os actores, para os encenadores e nesta ordem de ideias. Haverá também mil e um modos de recepção do espectador (ou ainda mais), cada um com as suas leituras, compreensão e fruição estética? Mas pode limitar-se a criação da obra de arte, seja ao que for, como por exemplo, ao nível etário? Especificar é limitar? Esta questão da especificidade do espectáculo tendo em conta o nível etário, coloca-se principalmente quando contextualizamos o espectáculo teatral na escola, e assim, a partir do momento em que a criação teatral se aproxima da escola que “começa a surgir a necessidade de articular a sua produção com as etapas específicas da formação/aprendizagem, lançando dados, abrindo pistas, facilitando essa aprendizagem”.
O problema da recepção é amplo e complexo, pois abarca a obra teatral e o efeito da obra no espectador, implicando a cumplicidade deste. Assim, o primeiro critério a ter em conta é a definição da representação como um acto de comunicação com as crianças. À partida, temos uma especificidade relacionada com os problemas comunicativos que as crianças, enquanto destinatários da cena teatral, têm para resolver, e que são, sem dúvida, diferentes dos adultos. De facto, a criança vivencia a sua realidade transfigurando-a com a sua imaginação, e portanto, capta essa realidade de um modo específico, diferente do adulto. A criança não é um destinatário passivo da representação, é precisamente o contrário – um agente activo na construção da obra. Esta actividade produtiva relaciona-se amplamente com as estruturas imagéticas da criança, que concretiza no preenchimento dos espaços vazios, dos silêncios, criados como tal pela representação aberta e polissémica, ou seja, através de um exercício estético motivado pela acção dramática. Neste processo de recepção, a criança activa metaconhecimentos, bem como convencionalismos próprios da expressividade artística do sistema, estabelecendo correlações entre diversos signos culturais, que são, como já se viu, próprios (específicos) das culturas da infância.
Quando se representa para crianças, deve-se ter em consideração o redimensionamento do papel do receptor. Mas, se o Teatro se expressa através da Arte, ele vai além do conhecimento científico e embrenha-se nos mistérios das sensações, das emoções, dos sentimentos, que é, como se sabe, o domínio da infância.
Adília César

História "A sementinha"

sábado, 28 de abril de 2018

UM 25 DE ABRIL CONTADO ÀS CRIANÇAS


Desenho de cravos vermelhos por Maria Leonor António (6 anos de idade)

Os meus alunos têm cinco anos de idade e ainda não sabem ler. São curiosos e fazem imensas perguntas, às quais eles próprios dão rapidamente as respostas, colocando hipóteses bastante interessantes sobre fenómenos do dia-a-dia ou enigmas relativos à infância. Penso, não raras vezes, como as crianças se devem sentir incompreendidas, tendo em conta que cada criança é um mundo e cada um desses mundos remete para uma cultura própria, a chamada cultura da infância, com características peculiares. A imaginação, a tenacidade e a energia em combustão, em suma, a alegria de viver.

O 25 de Abril é um enigma para as crianças pequenas. Como explicar uma conjunctura sócio-política de uma época do século passado que culminou na Revolução dos Cravos, a qual inundou literalmente os portugueses de alegria, e cuja acção se sente até hoje em todos os quadrantes da sociedade? Todos os anos, como Educadora de Infância, chegada à véspera do feriado histórico, tenho o mesmo problema.

Tenho a intuição e o conhecimento de que é possível falar de “tudo” com as crianças, devendo essa aprendizagem, no entanto, ser abordada de uma forma adequada. Lembrei-me então das fábulas, aquelas lindas histórias onde os animais falam e nos dão sábias lições de vida, em que a dimensão dos valores atinge uma importância crucial na narrativa.

E se a conversa de hoje fosse assim em jeito de fábula?

“Era uma vez um denso e escuro lago de água doce onde viviam muitos peixes, de todos os tamanhos e de diversas cores e feitios. Eram peixes sossegados e tristes. O chefe dos peixes era o maior de todos. Vivia rodeado de um exército de peixes venenosos que faziam tudo o que o presidente mandava. Este exército não deixava os outros peixes fazerem nada como brincar, cantar, dançar, passear, nem sequer falar sobre essa falta de liberdade que tanto os afligia. Era um exército grande, forte e mau. E quando algum peixe mais corajoso falava alto sobre o problema, era preso numa gruta escura no fundo do lago e nunca mais ninguém o via.

Mas os peixes estavam decididos a resolver a sua situação. Conversaram uns com os outros, muito baixinho, para os peixes venenosos não os ouvirem, e decidiram fazer uma Revolução dos Cravos, usando como armas as lindas flores que tinham visto plantadas nas margens do lago. Com esses cravos, os peixes atacaram o exército, fazendo muitas cócegas em todas as barbatanas dos peixes venenosos, até que estes não conseguirem parar de rir.

Os peixes venenosos gostaram tanto da sensação de alegria que convidaram todos os outros peixinhos para fazerem um baile: brincaram, cantaram, dançaram. Isto aconteceu num dia 25 de Abril, há muitos anos, mas todos os peixes se lembram bem desta data maravilhosa, que trouxe coisas boas para todos.

A partir desse dia, os dois grupos de peixes ficaram amigos, dando longos passeios e conversando sobre as suas vidas. Todos juntos, decidiam o que fazer para tornar aquele lago um bom lugar para viver, um paraíso. O chefe dos peixes não gostou da mudança que aconteceu no seu lago, o qual se tornou mais leve e cristalino, mas com o tempo, concordou que era muito mais justo e divertido viverem todos em liberdade.

E todos os anos, no dia 25 de Abril, os peixes fazem uma grande festa: cantam, dançam e fazem cócegas uns aos outros com as pétalas dos cravos vermelhos que crescem nas bermas do lago.”
AC


(Crónica publicada a 27 de Abril de 2018, no Algarve Informativo nº 153)

terça-feira, 24 de abril de 2018

Gosto de flores | Canções Infantis

Esta bonita canção vai ser cantada pelo grupo das crianças mais novas na Gala dos Versos Pequeninos, a realizar-se no dia 5 de maio, pelas 15 horas, no auditório da Biblioteca Municipal de Faro. Estão todos convidados!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Rimas - Gosto de rimar

O jogo poético de George Brecht

Os artistas que mais usaram o jogo podem dar-nos uma ideia do que seria um jogo poético. 
George Brecht, do Fluxus lembra-nos que podemos pensar de maneira poética utilizando dados:



Pode saber mais aqui

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Amendoeiras em Flor e Canção

Esta versão da Lenda das Amendoeiras em Flor é uma das mais belas, principalmente devido às imagens, realizadas com a técnica do recorte e colagens de papéis pintados:


O vídeo foi realizado a partir deste livro:

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Biblioteca Pequenina

Como alternativa para o incentivo à leitura, algumas bibliotecas e prefeituras, como a de Nova York, criaram pequenas bibliotecas gratuitas nos espaços urbanos, como parques, pontos de ônibus e telefones públicos. 

A ideia é simples: estantes de livros adaptadas aos espaços públicos, convidando transeuntes a levarem um livro. 

Projeto Pequena Biblioteca Gratuita de Madison, Wisconsin é um dos mais bem sucedidos. 


A ideia é boa e pode ser uma forma de atingir a comunidade através do conhecimento e da informação.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Pinóquio - Historia completa - Desenho animado infantil com Os Amiguinhos

O Desenvolvimento Pessoal e Social da criança também acontece através da descoberta lúdica de histórias com possibilidades psicológicas. A história do Pinóquio explora a mentira e as suas consequências.






sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

LINDO MONSTRO de António Torrado



LINDO MONSTRO

Não sou assim tão feio, disse o monstro,
A ver-se ao espelho.
Dos olhos, o do meio, ora azul, ora vermelho
e pestanudo, dá-me um ar singular,
Tal como a tromba a badalar
e o pontiagudo dente
que não sei disfarçar
de tão evidente, saliente
ao sorrir e ao falar
e que, por ser maior, coisa pouca,
me alarga de mais o canto da boca.

Mas há pior, mais feios,
feios, de uma fealdade louca
cheios de verrugas
que nem tartarugas.
Monstros a valer.

Feios, feios, feios
Que mais não podem ser.
Feio, eu? Cabeçudo? Façadunho? Orelhudo?
Ora. Paleio.
O que eu tenho é um mau parecer.

(in "Poesia para todo o ano", 2013, Porto Editora)

Poema do ratinho Frederico




Num velho prado onde as vacas e os cavalos pastavam e corriam havia um velho muro de pedra. Nesse muro vivia uma família de ratos tagarelas. Perto do muro havia um estábulo e um celeiro que os agricultores abandonaram deixando o celeiro vazio. Como se estava a aproximar o Inverno os ratinhos começaram a trabalhar imenso para armazenar comida. Todos carregavam milho, nozes, trigo e palha. Todos menos um, o Frederico. Os outros ratos perguntavam ao Frederico porque é que ele não trabalhava. Ele respondeu-lhes que estava a apanhar raios de sol, a recolher cores e palavras para os dias frios e sombrios de Inverno, porque os dias são muito longos e poderiam ficar sem nada para dizer. Então lembraram-se das coisas que o Frederico tinha feito e pediram-lhe para ele mostrar o que tinha armazenado. Frederico com voz tímida começou a dizer um poema sobre as quatro estações do ano. Afinal Frederico era um poeta! 


Poema do ratinho Frederico:

Quem sopra os flocos de neve?
Quem derrete o gelo frio?
Quem põe o tempo sombrio?
Quem o faz outra vez alegre?
Quem dá quatro folhas ao trevo e muitas mais à árvore nua?
Quem apaga a luz do dia?
Quem acende no céu na lua?

Quatro ratinhos do campo dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
Quatro ratinhos do campo... falam de mim e de ti.

O ratinho da Primavera acorda todas as flores.
E depois, o do Verão pinta-as de todas as cores.
O rato-Outono trás nozes e folhas amareladas.
O do Inverno é o último e vem com as patinhas geladas.

As estações são quatro, cada uma tem o seu momento.
Variam, temos muita sorte, fazem passar o tempo.

(in "Frederico" de Leo Lionni)


Lebrinha 01