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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

LINDO MONSTRO de António Torrado



LINDO MONSTRO

Não sou assim tão feio, disse o monstro,
A ver-se ao espelho.
Dos olhos, o do meio, ora azul, ora vermelho
e pestanudo, dá-me um ar singular,
Tal como a tromba a badalar
e o pontiagudo dente
que não sei disfarçar
de tão evidente, saliente
ao sorrir e ao falar
e que, por ser maior, coisa pouca,
me alarga de mais o canto da boca.

Mas há pior, mais feios,
feios, de uma fealdade louca
cheios de verrugas
que nem tartarugas.
Monstros a valer.

Feios, feios, feios
Que mais não podem ser.
Feio, eu? Cabeçudo? Façadunho? Orelhudo?
Ora. Paleio.
O que eu tenho é um mau parecer.

(in "Poesia para todo o ano", 2013, Porto Editora)

Poema do ratinho Frederico




Num velho prado onde as vacas e os cavalos pastavam e corriam havia um velho muro de pedra. Nesse muro vivia uma família de ratos tagarelas. Perto do muro havia um estábulo e um celeiro que os agricultores abandonaram deixando o celeiro vazio. Como se estava a aproximar o Inverno os ratinhos começaram a trabalhar imenso para armazenar comida. Todos carregavam milho, nozes, trigo e palha. Todos menos um, o Frederico. Os outros ratos perguntavam ao Frederico porque é que ele não trabalhava. Ele respondeu-lhes que estava a apanhar raios de sol, a recolher cores e palavras para os dias frios e sombrios de Inverno, porque os dias são muito longos e poderiam ficar sem nada para dizer. Então lembraram-se das coisas que o Frederico tinha feito e pediram-lhe para ele mostrar o que tinha armazenado. Frederico com voz tímida começou a dizer um poema sobre as quatro estações do ano. Afinal Frederico era um poeta! 


Poema do ratinho Frederico:

Quem sopra os flocos de neve?
Quem derrete o gelo frio?
Quem põe o tempo sombrio?
Quem o faz outra vez alegre?
Quem dá quatro folhas ao trevo e muitas mais à árvore nua?
Quem apaga a luz do dia?
Quem acende no céu na lua?

Quatro ratinhos do campo dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
Quatro ratinhos do campo... falam de mim e de ti.

O ratinho da Primavera acorda todas as flores.
E depois, o do Verão pinta-as de todas as cores.
O rato-Outono trás nozes e folhas amareladas.
O do Inverno é o último e vem com as patinhas geladas.

As estações são quatro, cada uma tem o seu momento.
Variam, temos muita sorte, fazem passar o tempo.

(in "Frederico" de Leo Lionni)


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

BALADA DA NEVE - Augusto Gil

BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil, 1909

Um livro belíssimo, editado pela Alêtheia Editores, S.A. e Pingo Doce, com ilustrações de Joana Franco:



ADIVINHA - O VENTO

As adivinhas são ótimos textos misteriosos para desenvolver competências cognitivas e linguísticas.


Eu corro, não tenho pernas.

Assobio, não tenho boca.

Nunca ninguém me viu

e tenho bastante força!


(solução: o vento)


27 cuadros de Van Gogh con música de Beethoven HD

Imagens de 27 obras de Van Gogh para mostrar às crianças, com música.
Observar e escutar:

Arte para bebés e crianças | Obras-primas famosas com o Pequeno Vinnie d...

Vincent Van Gogh e o Impressionismo para os mais novos:




Filme infantil - A água é um mundo fantástico

A água, bem essencial à nossa vida. Um tema de enormes potencialidades. Este vídeo é um boa estratégia para iniciar as crianças em relação a um vocabulário mais específico.



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

VELHO VELHO VELHO

"VELHO VELHO VELHO" - Autor desconhecido


      Velho, velho, velho       
Chegou o Inverno.
Vem de sobretudo,
Vem de cachecol, 
O chão por onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão,
Quando as procurou,
Roubara-as o cão.

Com medo do frio,
Encostou-se a nós:
Dai-lhe café quente,
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno!

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno!


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Vincent Van Gogh - "Os Girassóis" e "Noite Estrelada"

Vincent Van Gogh foi o artista escolhido para mostrar às crianças a diferença entre as cores quentes e as cores frias, através das obras "Os Girassóis" e "Noite Estrelada":


"Os Girassóis" - Cores quentes


"Noite Estrelada" - Cores frias

Alguns factos sobre Vincent Van Gogh, num texto informativo com ilustrações animadas (gifs):

https://alynecastro.wordpress.com/2016/04/06/10-fatos-que-voce-deve-saber-sobre-vicent-van-gogh/

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

SONHO DE NEVE de Eric Carle

A exploração do tema INVERNO teve o seu início com a história SONHO DE NEVE, da autoria de Eric Carle, um dos meus autores preferidos. 

“SONHO DE NEVE” é uma história invernosa e natalícia que se destaca logo à partida pela própria edição do livro: a capa acetinada contrasta com a rugosidade dos fragmentos têxteis nela colados, a imitar flocos de neve; entre as páginas do miolo vão-se também intercalando folhas de acetato, adornadas com manchas de cor branca, e que se sobrepõem às ilustrações, qual mantos de neve, cobrindo não só o agricultor, o protagonista da história, como também os seus animais domésticos. De salientar ainda é a intensidade das próprias ilustrações, bem ao estilo de Eric Carle: collages em papel pintado, texturas e vistoso colorido. No final, o livro incorpora um mecanismo que faz soar uma melodia, quando o leitor é convidado a tocar-lhe.

Texto e ilustrações de ERIC CARLE; Tradução de ANA M. NORONHA

Texto inicial da história: 

«Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco. Atrás do celeiro havia uma pequena árvore. O agricultor chamou-lhe Árvore...» 

link para o slideshare da história:



Eric Carle (Siracusa, Nova Iorque, 1929) 

Autor de mais de 70 livros, começou a ilustrar em 1967, depois de muitos anos como diretor de arte numa agência publicitária. Estudou na prestigiada escola de arte “Akademie der Bildenden Künste”, de Estugarda (Alemanha), país onde residiu na sua infância. Mas como sempre quis voltar para os EUA, regressou em 1952 em busca de uma oportunidade, que acabou por lhe surgir como designer gráfico no “The New York Times”. 

O primeiro livro da sua completa autoria foi 1,2,3, to the Zoo (1968), ao qual se seguiu The Very Hungry Caterpillar. 

Foi galardoado com os prémios da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha (Itália), da Associação de Livreiros Infantis e da Associação Americana de Bibliotecas. Eric Carle disse: “Creio que a passagem de casa para a escola é o segundo maior trauma da infância; o primeiro, certamente, é nascer. Em ambos os casos trocamos um ambiente caloroso e protetor por outro desconhecido. Acredito que as crianças são criativas por natureza e capazes de aprender. Nos meus livros tento minimizar esse temor, substituí-lo por uma mensagem positiva. Quero mostrar-lhes que aprender é realmente fascinante e divertido.” 

Eric Carle

segunda-feira, 27 de novembro de 2017



Conto Outono

O calendário diz que é Outono há já algumas semanas, mas só agora a cidade se cobriu de folhas secas e as crianças começaram a vestir roupa mais quentinha. Antes do Natal, vamos ver e ouvir bonitas histórias. 
Ainda sobre o Outono.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Livro da Família

O Livro da Família mostra às crianças as diferentes particularidades das famílias de hoje. As ilustrações apelativas e o discurso simples torna este livro um objeto literário com grandes potencialidades pedagógicas.



Slideshare da história com as imagens a preto e branco:


Slideshare da história com imagens a cores:
https://pt.slideshare.net/Gloritcha/o-livro-da-famlia-55143026


Vídeo (sem som) da história:


terça-feira, 7 de novembro de 2017

A história da Maria Castanha

A história da Maria Castanha é um bom ponto de partida para a exploração do Magusto.

O Sr. Azulão

Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, para leitura em voz alta.

O Sr. Azulão, que dormia debaixo da cama, pede ao João para dormir na cama. Mas depois não param de aparecer mais visitantes inesperados...

Chris Riddell é um dos mais conhecidos ilustradores britânicos; ganhou duas vezes a Medalha Kate Greenaway, a mais importante distinção no campo da ilustração para crianças.


sábado, 4 de novembro de 2017

"Aranha" - Poesia Visual

A poesia visual aparece apenas nos conteúdos programáticos da escolaridade obrigatória. Contudo, é possível introduzi-la no pré-escolar, apesar de ser altamente complexa, uma vez que alia uma concepção de imagem com texto, existindo, à partida, um sub-texto nem sempre fácil de entender ou similar. No entanto, há exemplos mais simples, bastante apelativos para as crianças pequenas. O primeiro poema visual que escolhi data de 1964 e é da autoria de Salette Tavares. 
Pode funcionar como lengalenga e imagem estética, sendo possível a introdução de muitas propostas diversificadas a nível de outras áreas de expressão e domínios do conhecimento.

Salette Tavares

Salette Tavares nasceu em 1922, em Moçambique, então uma colónia portuguesa, na cidade de Lourenço Marques (hoje em dia Maputo). Aos onze anos mudou-se com a sua família para Sintra, Portugal, e viveu em Lisboa até 1994, ano em que morreu aos 72 anos.

Salette Tavares

Fez o curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Universidade de Lisboa, licenciando-se em 1948 com a tese Aproximação ao pensamento concreto de Gabriel Marcel, que seria publicada nesse mesmo ano, em Lisboa. Traduziu os Pensamentos, de Pascal, e As maravilhas do cinema, de Georges Sadoul. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer uma especialização em Estética, em França e na Itália, onde trabalhou com Mikel DufrenneÉtienne Souriau e Gillo Dorfles. Em 1964, a seguir à publicação do primeiro Caderno da Poesia Experimental (Ver: Poesia Experimental Portuguesa), edição Cadernos de Hoje, faz uma visita a Nova Iorque onde visita vários museus na companhia do seu amigo poeta Frank O'Hara, tendo estudado arquitectura moderna com Philip Johnson. Durante o auge da produção concretista portuguesa, em 1965, lecciona Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes, e publica as lições correspondentes, sem ilustrações, na revista Brotéria. Um livro com essas mesmas lições, mas completas, intitulado “A dialética das formas”, estava composto em 1972, mas nunca foi publicado. Em 1979, teve uma retrospectiva da sua poesia visual na Galeria Quadrum, numa exposição chamada “Brincar”.
Algumas obras editadas:
  • Espelho cego(Lisboa: Ática, 1957);

  • 14 563 letras de Pedro Sete (Lisboa: Livraria Fomento de Cultura, 1965);

  • Lex icon (Lisboa: Moraes, 1971);

  • Obra poética (1957-1971) (Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1992) - com introdução de Luciana Stegagno Picchio;

  • Poesia gráfica (Lisboa: Casa Fernando Pessoa, 1995)

Litle Free Library

Nos Estados Unidos foi posta em prática uma ideia que parece estar a resultar. Os mais pequenos são convidados a levar um livro e deixar outro no seu lugar, ou simplesmente sentir-se no banco de jardim disponível e ler. O projeco chama-se LITLE FREE LIBRARY e parece ser fácil de implementar.

Litle Free Library

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O cuquedo - com som!


A história "O Cuquedo" explora os medos imaginários das crianças, a partir de uma personagem cómica e desconcertante.

Clara Cunha e Paulo Galindro

Link para o slideshare da história: 
https://pt.slideshare.net/AdrianoAires/cuquedo-digitalizado

O vídeo sonorizado por vozes de crianças:

Lebrinha 01